Escultura Imaginária – Vênus

É uma escultura em quatro movimentos, como uma espécie visual de sinfonia.


1º Movimento
O primeiro deles foi quando da exposição individual no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em maio de 1976.
Composta por 49 esculturas, dispostas no espaço do museu em grandes bancadas de feltro branco construídos para a manipulação pública das peças, e para a observação de seqüências formadas entre elas.
As regras dessas sequências e o instrumento operacional de sua manipulação eram definidas no “libreto”, livro de figuras que para ser “lido” envolvia a articulação de suas páginas soltas. Duas para cada escultura e no verso o conjunto das 49 num quadrado mágico de 7×7 casas, onde a cada uma era atribuído um ideograma que simplificava sua representação.

Exemplo da Leitura do Libretos

A figura acima é o verso da figura ao lado. As imagens circuladas são as cartas imediatas que permitem ao leitor, neste caso, escolher entre 5 novos ideogramas. Definido o símbolo circulado e localizado sua carta o leitor terá novas escolhas e ao final, com a união dos fragmentos, a leitura parcial do 1º movimento.

Texto do Convite: Exposição MAM – RIO / Vênus e o Menino Mágico, Mesmo Jornal O Globo – 27/05/1976 – Frederico de Moraes


2º Movimento
No segundo movimento, ocorre um rearranjo que busca superpor significante(ideograma) e significado(cada peça). Como se os desenhos dos ideogramas, num modelo mais simples, se articulassem como as esculturas, só que em outro nível, mais geral e sintético. Sua exposição esteve marcada no MASP para 1978, mas durante a viagem de seu prêmio, foi simplesmente cancelada pela assessoria de P.M.Bardi, então diretor.

Fragmentos da Elaboração do 2º Movimento


3º Movimento
No terceiro movimento os ideogramas se libertam de cada escultura, num nível primordial que se chamou poema.
Articulam-se puros, sem dimensão semântica, como uma linha que se transforma, numa estória em quadrinhos bidimensional.
A essa estrutura em branco de significados, atribuiu-se uma linguagem para as sensações, como uma espécie de interface para a percepção de si e do mundo, e os meios para a memorização e fruição da peça.
Em tese, aqui ela se liberta do suporte material: só pode ser fruída enquanto objeto na medida em que esteja memorizada,quando transforma-se em puro valor de uso. A realização plausível dessa possibilidade é o que lhe dá sua sustentação enquanto proposta.

Etapas do 3º Movimento (clique nas imagens para ampliá-las)


4º Movimento
Entretanto, é no quarto movimento, onde o espaço de representação passa a ser esférico, mais isomórfico com a representação mental, que sua compreensão e usufruto enquanto objeto de linguagem mais plenamente se realiza. O que se passava, antes numa estrutura linear, depois no plano bidimensional dos papéis, agora ocupa um espaço mais concreto de representação.
Mais fácil de imaginar e articular pela mente, por ser menos abstrato. Nosso espaço de representação mental é mais esférico do que plano. O memorizável é mais tridimensional. O esférico, com sua falta de arestas, precisou ser lapidado para ser possível.

O globo de 30 faces mostrou-se maravilhoso suporte para isso. É muito fácil para a mente imaginativa dividir um círculo em 4 e depois em 12 partes. Dessa divisão para a esfera é um passo.