De mudança

Mariana Hungria

No fim de 2001, depois de mudanças inesperadas na minha vida, tive que começar a pensar em mudar de casa. A casa em que eu morava era linda, eu tinha reformado o imóvel todo e ela era “quase” tudo que eu queria de uma casa.

Porém, muitas coisas acontecem na vida da gente e mudanças sempre são surpresas, mas o que realmente importa é fazer desses limões, uma boa limonada.

Com a perspectiva da mudança, enfiei na minha cabeça que não me importava aonde eu iria morar, eu queria um ofurô. Já tinha me apaixonado pela peça de madeira há anos, mas não tinha tido a oportunidade de ter uma só para mim. A partir daí, cada apartamento que eu visitava, procurava o lugar onde eu ia colocar meu objeto do desejo.

Se não houvesse este lugar, o apartamento estava descartado. Depois de muito procurar, com meu tempo já se esgotando, achei o apartamento onde moro hoje. Ele precisava de muita reforma para ficar como eu queria.

Chamei minha prima, Priscilla Bello, (pribello@ig.com.br) que é uma arquiteta maravilhosa, e começamos a ver o que era mais importante para o apartamento ficar habitável. A primeira coisa que eu disse para ela é que eu queria um ofurô. O resto, para mim, era detalhe.

Antes de começar a quebradeira, o lugar para “ele” já estava reservado. Só faltava achar quem fizesse o melhor ofurô do Brasil. Sim, tinha que ser o melhor, o mais lindo de todos, já que meu sonho já tinha sido adiado por muitos anos. Foi aí que eu conheci o Will.

Logo que eu entrei na loja da Cerro Corá, levada pela Priscilla, senti aquele cheiro bom de madeira, achei que tinha entrado no paraíso. Will nos atendeu maravilhosamente bem e entendeu que tinha que ser uma peça muito especial. Entrei na oficina e fiquei mais encantada ainda.

As pessoas trabalhando em cada peça como se fosse uma obra de arte, lixando cada cantinho, observando cada detalhe, fazendo de cada tina um objeto especial que coubesse dentro do sonho de que tinha sonhado. A escolha foi fácil.

Tinham vários modelos na loja e eu entrei em todos que me interessavam. Impossível não fechar os olhos dentro daquelas tinas vazias e já se imaginar envolto na água. O Will foi bárbaro.

Quanto mais ele falava do contato da água com o corpo, do poder da madeira, de como cada peça era produzida, mais cheia de vontade eu ficava. Enfim, escolhi “meu ofurô”.

Minha reforma seguia de vento em popa. O Will fez questão de conhecer meu apartamento para ver onde iria ficar minha tina, onde o sol nascia, onde se punha e tudo mais. Enquanto isso, minha tina era produzida só para mim.

Enfim chegou o dia da entrega da minha peça. Depois do deck pronto e todas as ligações de fios para o motor, entrada e saída de água como manda o figurino, lá estava ele, lindo, no lugar que eu tinha sonhado desde o primeiro momento. Me mudei. Foi um dia difícil com milhões de pessoas zanzando de lá para cá. Caixas e móveis andavam parecendo objetos animados.

Fiz questão de dormir no meu apartamento, mesmo com a bagunça armada! Depois de 3 meses de reforma,eu merecia dormir lá, cercada de coisas que faziam parte da minha vida e da minha história. O dia seguinte foi longo e eu não me lembro de ter parado nem para comer. Quanta coisa para desembalar, redescobrir, lavar, guardar! Quando o dia acabou, estava exausta.

Olhei para o meu terraço e vi meu ofurô me esperando. Foi o meu primeiro banho e talvez o mais merecido. A água quente, o cheiro de madeira e o sal marinho que ganhei do Will… Abri um vinho e relaxei. Eu merecia!

Depois deste primeiro contato com o ofurô, minha vida mudou. A estante da TV foi projetada pela Priscilla para que virasse para o terraço e, o ofurô virou o meu sofá. Chego em casa exausta, esquento a água, entro na minha tina e pronto! Todas as tensões do dia-a-dia ficam do lado de fora.

Nos dias de sol, uso a tina como piscina. Já experimentei diversas receitas que peguei no site da Will Arte. Descobri outras novas também. Casca de mexerica, pétalas de rosas, gengibre, espuma, sais, tanta coisa… É um show! Minha terapia! Meu relaxamento! O melhor investimento que já fiz na minha vida.

Agora o meu amigo e paisagista de primeira, Edu Lotfi, está fazendo o projeto do meu terraço. Quando ficar pronto, mando fotos do canto mais especial da minha casa!

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