Will e o Ofurô

Armando Correa Ribeiro

Finalmente chegou o dia em que eu resolvi me dar um presente que há muito tempo me fascinava – possuir um Ofurô. Confesso que eu nunca tinha entrado em um, mas a idéia me atraía muito. E finalmente êste dia havia chegado – estava construindo o que apelidei Meu Loft Rural, na minha fazenda no interior da Bahia.

Escolhi um local bem alto onde podia avistar quase toda a fazenda e não seria exagero da minha parte dizer que implantei a casa a partir do Ofurô porque imaginava deliciar-me, com a minha mulher, olhando o horizonte durante o dia e enxergando os contornos das montanhas, com as suas sombras mágicas, durante as noites de lua cheia. Como era um Loft me sentià vontade para exagerar nas dimensões e construí uma enorme e confortável “Sala De Banho”.

Passo seguinte foi mergulhar na Internet e pesquisar quem fabricava o tal do Ofurô, por este Brasil afora, quando de repente me bati com o WILLARTE. Como eu era um neófito no assunto, peguei o telefone e liguei para lá.

Confesso que esperava encontrar do outro lado da linha um agressivo vendedor que certamente iria me falar eivas e leivas sobre a qualidade do produto, das madeiras utilizadas, do esmerado processo de fabricação, enfim uma tina que nem japonês sabia fazer igual. Para minha surpresa, lá estava o próprio Will, um artista-artesão com a sua fala tranqüila e pausada explicando com muita paciência como era a sua tina.

Quando sugeri um tamanho e pedi sua ajuda para escolher a forma e a dimensão dentre as ovais grandes, imediatamente, pediu os nossos pesos e alturas, mas achava interessante uma visita a sua oficina para experimentarmos a que mais se adaptaria às dimensões do casal.

Nesta visita, disse-me ele, que tiraria minhas medidas com as pernas esticadas para a manobra de alongamento isométrico da musculatura posterior das pernas e da coluna lombar.

Já comecei a gostar da idéia de uma compra personalizada resolvi entrar no clima e lá fui eu para São Paulo levando minha filha arquiteta para ser a protagonista desta deliciosa encenação, pois minha mulher se refazia de uma cirurgia e eu achei arriscado submetê-la a este treinamento.

Para minha surpresa o seu atelier-oficina não era uma marcenaria qualquer. A energia era muito especial. Senti-me numa Maternidade onde os artesãos-gestantes pariam delicadamente cada tina. Tinas-bebê perfeitas, mas com a saúde e a estrutura de jovens atletas. Acabamento impecável. Sentia que cada Tina era uma filha do Will.

Gente, sem exagero. Ficamos, minha filha e eu, ouvindo atentamente todos os detalhes que iam desde a escolha da madeira ao processo de fabricação, a conservação e o mais importante, a célebre manobra de alongamento.

Fizemos tudo muito direitinho. O resto, disse-me ele, ficaria por conta do casal… Se eu fosse o Will eu certamente estaria entrevistando cada pai candidatoà adoção. Se por um acaso eu sentisse que não seriam bons pais, eu simplesmente daria uma boa desculpa e os mandava embora.

Armando Correa Ribeiro

Fazendeiro e sócio do Restaurante Trapiche Adelaide em Salvador – Bahia